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O POTI - Edição de domingo, 03 de setembro de 2006

Hora da fênix voar

José Carlos Silva/Arquivo DN

Com fechamento de unidade de barrilha no rj, alcanorte tem nova, e talvez última, chance de sair do papel

‘‘O sucessor do meu sucessor vai governar um estado rico. E este projeto será a base dessa riqueza’’. A frase, do saudoso Tarcísio Maia, foi dita em meados dos anos 70, quando o então governador do estado acreditava, firmemente, que o projeto de utilização do conjunto de riquezas naturais existentes na região de Macau seria a principal força-motriz do desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. Começava a surgir ali o embrião da Alcanorte, uma fábrica que, utilizando o sal, o calcário e a energia abundante e barata do gás natural seria capaz de produzir barrilha - um dos mais valorizados insumos da indústria química mundial, base para a indústria do vidro - por preços tão competitivos que seria capaz de dominar o mercado nacional do insumo. Desde então, já se passaram mais de trinta anos e a sonhada fábrica ainda não passa de um sonho acalentado pelos potiguares e que já chegou a ser dado como definitivamente sepultado.

No entanto, especialistas ouvidos pela reportagem de O Poti garantem: estamos vivendo agora mais um, talvez o último, momento propício para o ressurgimento da Alcanorte. O fechamento da unidade de barrilha que a Companhia Nacional de Álcalis (CNA) mantinha em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, anunciado no início de agosto, deixou o mercado nacional órfão da barrilha produzida em solo brasileiro. Hoje, o consumo de barrilha no país é da ordem de 750 mil toneladas por ano. Desse total, 250 mil toneladas vinham da unidade carioca. As 500 mil toneladas restantes eram importadas.

E todos os detalhes concorrem para mostrar que a Alcanorte é a melhor e mais forte candidata à preencher esta lacuna deixada no mercado nacional com o fechamento da CNA. O principal deles é o fato de que a CNA fechou suas portas por não ter mais condições de produzir barrilha por um preço competitivo, e nem podia.

Para fazer barrilha, a fábrica fluminense recebia calcário de Minas Gerais e sal do Rio Grande do Norte. Em Macau, onde está iniciada a Alcanorte, o calcário e o sal estão, por assim dizer, ‘‘na porta da fábrica’’. E é justamente por isso que a unidade potiguar chegou a ser alvo até mesmo ameaças de dumping internacional (veja box).

Entre os muitos pontos positivos de uma eventual retomada da fábrica de barrilha de Macau dois se destacam. O primeiro deles é que os cerca de US$ 306 milhões investidos na estrutura que está pronta (boa parte deles provenientes dos cofres públicos, através de financiamentos e refinanciamentos de linhas como o Finor) não iriam para o ralo.

O segundo é que a fábrica teria o poder de gerar emprego e renda na região de Macau que transformaria a face econômica daquela parte do estado. Seriam cerca de 3 mil empregos entre diretos e indiretos, segundo estimativas.

Barreiras

Mas, para ser retomada, mesmo diante de todo o cenário amplamente favorável, a Alcanorte ainda teria que transpor algumas barreiras. A primeira seria com a própria Companhia de Álcalis - que é, diga-se de passagem, a detentora do controle da Alcanorte. A empresa precisaria ser chamada para as negociações que envolveriam, dois tópicos principais: a renegociação das dívidas da indústria potiguar (que hoje somam cerca de US$ 160 milhões) e os entendimentos com os fornecedores internacionais que teriam o poder de brecar a barrilha potiguar no mercado nacional, por exemplo, praticando dumping.

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