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Não sei qual o trauma que o prefeito Veras tem com árvores.
Mas que existe um problema mal-resolvido, isso existe.
Será que quando era menino, lá em Alexandria, caiu de alguma delas e bateu com a cabeça?
Só isso poderia explicar a sanha em destruir a flora da nossa Ilha.
Para se vingar de alguma árvore que o fez sofrer na infância, comprou a prefeitura de Macau para, entre outras coisas, depenar nossas castanholeiras, acácias, flamboiãs...
É que lá no alto-oeste, o povo é brabo, arrochado, e jamais, jamais, permitiria de braços cruzados e cabeça baixa, essa devastação.
Já na Terra de Monsenhor Honório, calma e boa na poesia aveliniana, homens públicos estão a vender suas vergonhas, muitos a se calar em troca de uma cesta básica e só alguns, 'eternos revolucionários' , ousam protestar em troca de nada, quando muito, da rejeição de sua própria gente.
ABUSO DE PODER
No episódio da Praça das Mães, ocorrido no início de julho passado, presenciei cenas de truculência contra a natureza jamais vista em nossa cidade. Já andava avisada pelo blog do Império, no entanto, nunca pensei que chegaria a tanto o desrespeito desse prefeito para com a população e os chamados poderes legislativo e judiciário.
Sob as ordens do Sr. Veras, o jardineiro de sua própria casa, virou o Capataz Oficial, uma espécie de Capitão do Mato.
"Delenda Macau!', é a ordem dos dias, noites e madrugadas, sob o regime da impunidade.
E o Capataz cumpre. E os bajuladores, aplaudem.
Assim, o capataz saiu apontando para o tratorista, uma por uma, quais árvores deveriam ser abatidas. Um abuso, diante de uma platéia bailando entre a apatia e o medo.
Para os meus impacientes e impotentes protestos o capataz desferiu um palavrão ameaçador. Por muito pouco não sobrou para o Imperador da Casqueira que tentou me defender dos impropérios.
O abuso era tão grande, que o insensível e monstruoso trator, além das árvores, também destruía o calçamento da praça. Por determinação do capitão do mato, por um triz, um triz mesmo, uma das árvores não caiu sobre o carro de Benito (esse vermelho na foto) .
Isso aconteceu e continua a se repetir em nossa Macau.
Até quando?
"olha que coisa mais linda mais cheia de graça..."
A editora UNA e a livraria Potylivros, no dia 9 de agosto último,
tornaram a noite de Natal muito especial com o
lançamento do Livro Luas Nuas, da poeta Rizolete Fernandes,
no Shopping Orla Sul.
Luas nuas
(Rizolete Fernandes)
Eu te darei luas nuas!
lua branca do sertão lua azul solidão
lua cinzenta cidade lua amarelo-saudade
de darei lua vermelha incandescente centelha
lua de mar espumante lua de quarto minguante
Eu te darei puras luas!
te darei luas sinceras lua antiga deveras
lua da noite encantada lua do dia arrancada
lua tímida indolente lua prosa lua quente
lua que a alma renova eu te darei lua nova
Eu te darei cada lua!
de darei lua menina lua jovem feminina
lua adulta madura enrubescida escura
lua de sala e de leito lua de talhe perfeito
com jeito adolescente lua de quarto crescente
Eu te darei tantas luas!
te darei lua errante embriagada amante
lua de vinho e de mel lua expressa para o céu
lua de rede e balanço outra torrente e remanso
lua espelho na areia eu te darei lua cheia
Vida fora eu te darei uma explosão de luas!
lua negra lua d'alva lua verde lua calva
lua vasta cabeleira andarilha bandoleira
lua redonda estética fugidia magnética
lua culta preservada lua casta liberada
da janela à imensidão senha de viva emoção
Luas Nuas, editado por Marize Castro, é um lindo livro, a segunda publicação de Rizolete que, em 2004, lançou 'A história oficial omite, eu conto: Mulheres em Luta no Rio Grande do Norte - de 1980 a 2000".
Rizó, antes de tudo, é uma mulher admirável, que conheci nas lutas sociais no início dos anos 80, ao lado da inesquecível amiga Juraneide.
Fui ao lançamento e mando daqui o meu aplauso pelo belo livro, tocante poesia e por sua história de vida, coerência e dignidade.
Sou, confesso, provinciana incurável.
Alguns dias de férias, e, para desespero de alguns, não penso em outro destino: Macau.
Quando transponho a lombada de João Grelô, no seu velho Bar Verdes Mares, sinto-me em porto seguro.
Ao ver o moinho, cercado de garças e água de grau, canto os versos do poeta Gilberto: "esta é a terra que amo, de rio em preamar sereno...". Este é o meu ritual de retorno à terra amada, sempre.
E no último mês de julho, não foi diferente. Passei uns vinte dias andando livre, leve e solta pelas ruas da cidade. Revi amigos. Assisti missa, me ajoelhei, rezei, pedi perdão.
No silêncio do Templo, sozinha, numa hora mágica, parecia ouvir a voz já cansada de Monsenhor Honório a repetir numa confissão: "raivas e impaciências, raivas e impaciências...", para uma menina, contrita, à espera da absolvição.
Pequei, outra vez, Monsenhor. Pois, eis que foi impossível ter paciência e não sentir raiva com os desmandos que estão acontecendo em nossa Ilha.
Sei, não! Ando com a impressão que este blog faz mais sucesso desatualizado. São tantos, tão diversificados, sedentos e gostosos os comentários, que dá até vontade de ficar só curtindo.
Quando escrevo, vocês nem ligam...
Mas, a demora não se trata de descaso, não. Estive às voltas com muitos compromissos sociais. Missas, cultos evangélicos, aulas da saudade, bailes de formatura. Imaginem!!! Ufa!!!
"Estou guardando o que há de bom, em mim
para lhe dar quando você chegar"...
Estou voltando de uns poucos dias de férias na Ilha de Sal. É tanta coisa acontecendo por lá, caros leitores, que não tive tempo para acessar internet. Também, o computador que o Império me disponibilizou é configurado num tal de Linux no qual não consegui nem sair do canto. Boicote, eu creio.
De volta ao ducado de Ponta Negra, foi bom saber que o blog andou mesmo na minha ausência. Amei. Porém, tem alguns comentários que não perdem por esperar a resposta. Aguardem.
Beijos no coração de todos.