22
de
maio
* CIGANO FEITICEIRO *
"Sempre quando em sonhos ardo,
saltam-me vidas que já são passado,
tão presentes,
que as carrego comigo
em um imenso baú
transbordando de lembranças,
que carinhosamente
chamo: Saudade"
(do poema Retorno, de Getúlio Vargas M. Barros)
Nas memoráveis campanhas dos anos 60, surge a Cruzada da Esperança.

Quando passou o cortejo conduzindo o corpo inerte do líder da ‘Cruzada da Esperança’, confesso, fiquei comovida. Sou daquelas que diante da morte, se ajoelha e reza. A multidão nas ruas como antigamente, galhos e lenços verdes nas mãos, saudosas marchinhas de memoráveis campanhas, lágrimas e aplausos ao longo do trajeto, não deixaram dúvida: o povo anistiou Aluízio Alves de todos os seus pecados para sempre.
Ao vê-lo assim, silencioso e quieto, admito, senti uma tristeza profunda que não imaginei pudesse sentir por ele. Afinal, ao longo dos anos, quantos desencantos! No entanto, a minha alma, com o que ainda guarda de pura, ao tortuoso caminho dos homens, naquele instante, preferiu o romanceado percurso dos mitos. E me abriu as cancelas de ternas e saudosas lembranças liberando um manancial de sinceras emoções.
Aluízio Alves, de tantas ações e contradições, posso dizer, foi o primeiro homem público a tocar meu coração de criança, na feliz infância da Benjamin Constant. Nos anos 60, quando visitava a cidade em campanha, para nosso orgulho, se hospedava no vizinho sobrado de seu Afonso Barros. A rua inteira se vestia de verde, e o cigano recuperava as energias saboreando as delícias preparadas por ‘Mãe Gordinha’. Para ele, aos dez anos de idade, fiz meu primeiro discurso na campanha de Monsenhor Walfredo.
Crescemos. Na sua volta, em 1982, estávamos nós, outra vez, a bem da verdade um pouco desconfiados, porém, vestidos de verde. Sonhando com uma Macau diferente e combatendo a ditadura, ajudamos a consolidar o PMDB em nossa cidade, contra todos, na histórica campanha de João Evangelista para prefeito. Guardo a lembrança de uma monumental passeata que fizemos para esperá-lo na Ponta do Aterro. Galhos verdes, lenços, bandeiras e a voz rouca de Aluízio a nos motivar: ‘vim para vencer, ou vencer’. Perdemos o pleito. Mas, naquela derrota, sinto que conquistei o direito de votar livremente.
Naquele começo de noite, quando seu corpo sumiu no campo santo, ao som das velhas canções, vi dezenas de homens e mulheres chorando feito crianças. Acho que nem Aluízio, no recolhimento dos últimos tempos, acreditava que seria ainda capaz de provocar tamanha comoção. E, eu, sem pieguice nenhuma, com um nó na garganta, senti uma enorme saudade da infância e dos sonhos que embalaram nossa juventude. E rezei: bem aventurados àqueles que, apesar de todos os defeitos, ainda conseguem encher de esperança o coração dos Homens.

Cerca de 15 dias antes de sua morte, encontrei Aluízio no lançamento do CD Jingles Políticos, no Shopping Orla Sul. Ao lado de sua irmã Diúda e da prefeita de Ceará Mirim, Ednólia Melo, disfarçando suas dores, riu para o meu flash. Seguindo um impulso fui até ele e, por instantes, relembramos as suas visitas ao sobrado da Benjamin Constant. Era uma despedida.

demonstração de carinho ao longo de todo o percurso…

…e "gente humilde, que vontade de chorar"…

… Chico Paraíba, cena rara, não resistiu, também chorou.


Comentário por Giovana — 23 de maio de 2006 (5:23)
Lindo texto. Com certeza, muitos bacuraus, que estão distantes, ficarão emocionados.
Comentário por Vargas — 23 de maio de 2006 (6:55)
Rell e Gio, eu, bacurau confesso, ainda estou engasgado pela emoção do texto e das fotos. Obrigado Duquesa! Foi exatamente isso que lhe pedí!!!
Comentário por Giovana — 23 de maio de 2006 (17:49)
Bem que eu avisei. Vai ser choro demais!!! Os bacuraus vão ficar todos molhadinhos.
Comentário por BARRA DA ILHA — 23 de maio de 2006 (19:09)
RECADO PARA GIOVANA:
QUERIDA, FALAS ASSIM, SEI NÃO, COMO SE “TENHO NADA A VER COM ISSO”, OU É PURA IMPRESSÃO???
SE A MEMÓRIA NÃO ME FALHA, ACHO QUE EM 82 ESTAVAS LÁ NA PRAÇA GENTIL FERREIRA,EM FAMÍLIA, SE NÃO ME ENGANO COM UM PÉ DE MAMÃO NA MÃO, PRONTA PARA ACOMPANHAR A PASSEATA, A PÉ, ATÉ SÃO GONÇALO. TÚ ESTAVAS LÁ…MENINOS, EU VI. (KAKAKA)
Comentário por Ceiça — 23 de maio de 2006 (20:33)
Regina, bela homenagem… em um dado momento ele foi nossa referência de oposição,sim. Não temos do que nos envergonharmos… fui bacurau sim e daí?!!! quem da nossa geração não foi…é pq era de direita(rsrsrsrsrs)
um grande abraço,
Comentário por Josélia — 24 de maio de 2006 (10:52)
Regina, vc é d+.Adorei seu texto.Aluizio Alves foi a minha 1ª referência política. Na minha ksa todos se referiam como um ídolo, o mensageiro da esperança.Em 82 votei nele. Depois é q as coisas mudaram. Mas em 82 estava lá…kkkkk.Sei não viu, vc é um barato.Bjão.
Comentário por Giovana — 24 de maio de 2006 (14:36)
Não estou negando meu pé no bacuralismo, de maneira nenhuma. Fui a diversas passeatas (Macaíba, São Gonçalo, na re-edição do trem da esperança prá Ceará Mirim), balancei bandeiras e galhos verdes. A diferença é que, quando nos anos 60 vocês faziam discursos, eu ainda chupava bubú (hahaha!!!) e nunca fui muito apaixonada. Apesar disso, confesso que chorei quando o rádio anunciou a derrota de 1982 e fiquei muito triste quando soube da morte do Ministro. Mas tudo isso, querida, não tem nada a ver, pois o seu texto está lindo e merece maior divulgação.
Comentário por BARRA DA ILHA — 24 de maio de 2006 (18:17)
RECADO PARA CEIÇA: MENINA, ME DÁ UM PRAZER ENORME VER VOCÊ AQUI. SABE, ACHO QUE, ESTIMULADA PELO IMPERADOR, ACABEI ENCONTRANDO MINHA PRAIA. UM ESPAÇO PARA FALAR SOBRE MACAU (PRINCIPALMENTE), É TUDO E ACABA NOS APROXIMANDO DE GENTE QUE QUEREMOS BEM E PERDEMOS O CONTATO. QUANTO AO VELHO BACURAU, SENTI AQUILO MESMO E NÃO TENHO UM PINGO DE VERGONHA DE ASSUMIR. TUDO DE BOM PARA VOCÊS, ABRAÇOS. APAREÇAM. COMENTEM. É IMPORTANTE TER UM RETORNO E SERÁ SEMPRE UM PRAZER.
Comentário por BARRA DA ILHA — 24 de maio de 2006 (18:24)
RECADO PARA GIOVANA:
MINHA QUERIDA CASTANHOLEIRA (SERÁ QUE POSSO USAR O TERMO?), SEI QUE VOCÊ NÃO É MULHER DE NEGAR SUAS LUTAS, BANDEIRAS E ORIGENS. MAS, CÁ PRÁ NÓS, VOCÊ ACHA QUE (MESMO EM ESTADO DE SENTIMENTO) EU IRIA PERDER A OPORTUNIDADE DE ZONAR COM VOCÊ, FÔFA?! E AINDA MAIS, FAZÊ-LA ASSUMIR PUBLICAMENTE QUE JÁ SE DEIXOU ENFEITIÇAR (E NÃO FOI PELO POTTER). EI, PERE, MAS VOCÊ NEM ME CHAMOU PRÁ PASSEATA DE MACAÍBA, FOI COM QUEM?
Comentário por BARRA DA ILHA — 24 de maio de 2006 (18:27)
RECADO PARA JOSÉLIA:
ATÉ TÚ JOSÉLIA!!!
SE GIOVANA AFIRMA QUE QUANDO EU JÁ FAZIA DISCURSO ELA AINDA CHUPAVA BUBU, TU NEM HAVIAS NASCIDO MULHER. JÁ NASCEU BACURAU. KAKAKAKA.
BOM VÊ-LA. ABRAÇOS.
Comentário por subhadro — 24 de maio de 2006 (18:46)
passei pra ver as novidades, matar a saudade e deixar um cheiro cheio de “esperanças”.
Comentário por Goretti — 25 de maio de 2006 (0:11)
Primeira visita e o prazer de ler belíssimo texto.
Parabéns!!
Comentário por glauce - joao pessoa/pb — 25 de maio de 2006 (10:30)
É amiga, aluizio alves ficou na história como um dos mais inteligentes homens políticos de todos os tempos.Que falta faz sua inteligência, sua sagacidade, nos homens que ocupam o cenário atualmente. Parabéns pelo texto.Um grande beijo.
Comentário por Terezinha — 27 de maio de 2006 (22:15)
Rell,parabens pelo texto.Quem não foi bacurau pelo menos uma vez? atire a primera pedra…Parabens tbem pelo blog,assim poderemos sabermos mais de todos q andam por esse mundo afora.bjos
Comentário por BARRA DA ILHA — 29 de maio de 2006 (20:57)
RESPOSTAS:
GORETI, QUE BOM QUE VOCE DESCOBRIU O CAMINHO DA BARRA.
GLAUCE, MANDE ALGUMA NOVIDADE DE JOÃO PESSOA. BEIJOS.
TEREZINHA, AMADA, BOM SENTIR SUA ENERGIA, UM CHEIRO.
Comentário por joao — 13 de junho de 2006 (6:47)
Confesso que só agora no dia 12 de junho descobri seu Blog. O texto de aluizio tá demais, claro que quando você escreve, todos páram para ler. atuaalize sempre, crie, invente, mas não deixe de escrever, abraços.
Comentário por BARRA DA ILHA — 22 de junho de 2006 (12:10)
RECADO PARA O JOÃO:
E EU, SÓ AGORA, REVENDO O BLOG, DESCUBRO O SEU COMENTÁRIO, CARO JOÃO (QUAL JOÃO SERIAS?). GRATA PELA VISITA E PELAS GENEROSAS PALAVRAS. VENHA SEMPRE, PARA MIM, QUANTO MAIS JOÃO, MELHOR. ABRAÇO.