Barra da Ilha

onde tudo pode acontecer

29

de
maio

* MACAU NO BECO DA LAMA *

Transcrevo texto do jornalista Alex de Souza (espero que não seja proibido), publicado no blog grandeponto.blogspot.com, para contar a história da eleição do Professor Bira, macauense da gema, como secretário executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjagências. Na festa da posse, o Barra da Ilha esteve presente.

foto: Júlio César Pimenta

E tudo terminou em Samba

Por Alex de Souza

“Aqui vale tudo, vale declarar voto - se quiser pode até anunciar no megafone, vale propaganda, vale boca de urna, boca de fumo, vale tudo!" Calma, não precisa chamar a Justiça Eleitoral nem a Polícia Militar. É só o poeta Plínio Sanderson, presidente da comissão eleitoral, explicando como funciona a democracia na Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba). A eleição para a diretoria da associação de boêmios mais pitoresca da cidade movimentou a tarde de sábado no Cento de Natal.

A urna foi liberada às 11h, sob um sol de rachar, na esquina das ruas Coronel Cascudo e Doutor José Ivo, em frente ao bar Quatro Cantos. Inscritos no "livro marrom" do Beco, 322 figuras estavam aptas a exercer o direito etílico de escolher a nova diretoria.

Mas, convenhamos, ninguém acreditava que o Beco tivesse tanto freqüentador assim. O "livro marrom", com a lista dos votantes, era uma esculhambação - mas de respeito. Cada página vinha com o nome do votante, ou o número da carteira de identidade, ou um apelido, ou só o número telefônico. Para evitar a presença de fantasmas, cada chapa tinha um fiscal, com uma cópia dos votantes, e cada voto era marcado nas duas cópias. Daí, não era de se estranhar se demorasse um pouco para localizar o nome de alguém.

Quem chegava, fazia sua fezinha num dos candidatos, o jornalista Alex Gurgel e o professor Ubiratan Lemos, o "Professor Bira", e ia engrossar a boca de urna no Bar de Nazaré, na expectativa da apuração dos votos, programada para as 17h30, no Bardallos.

Nas pesquisas de mesa em mesa, uma coisa era certa: mais do que 100 votantes e o resultado seria uma incógnita. Menos que isso, dava Professor Bira. O candidato Alex Gurgel, já pressentindo o pior, reclamava da ‘politização’ do pleito. "O ‘PCdoBeco’ e o PT vieram votar em peso, o que vai pesar na hora do resultado", declarou.

E foi dito e feito. Às 17h, a urna foi fechada, para tristeza do professor Giancarlo Vieira e do sebista Harrison Gurgel, que chegaram com dois minutos de atraso. A comissão eleitoral conferiu o número de eleitores que compareceram e pediu a conta, ao som de Lapada na Rachada. Deu R$ 29: seis cervejas, um prato de macaxeira com carne-de-sol ("e dois camarões de brinde", acrescentou o fiscal Robério ‘o Coisa’), um refrigerante e um burrinho de cana. "Assim queria ver faltar mesário. Fica a sugestão para o TRE", declarou Plínio Sanderson.

A festa se transferiu para o Bardallos, para tristeza de Dona Nazaré. Lá, o primeiro aviso foi proferido pelo megafone: "Faltam cinco minutos para a abertura da urna, favor trazer uma cerveja para a mesa de apuração." Quando a apuração chegou à metade, todo mundo já sabia que o Professor Bira tinha levado.

O que ficou difícil foi saber o número exato de votantes. A primeira contagem de 100; a segunda, 99; teve uma até que findou em 98; e, por fim, confirmaram 100 votos. Eleição de boêmio…

No final, o agradecimento dos candidatos, o discurso do eleito e a despedida de Eduardo Alexandre, o Dunga, da presidência da Samba. Ainda teve um gaiato que gritou: "Ele tá bêbado." Mas o professor Eugênio Soares rebateu de pronto: "Quem não tá bêbado tá com inveja!" Ah, ia esquecendo: o resultado oficial. Professor Bira levou 72 votos, Alex Gurgel teve 26 votos e dois malucos conseguiram a façanha de anular o voto.

28

de
maio

* POESIA MÍSTICA *

PRESENTE DE AMANTE

(Rabindranath Tagore)

18

     "SE ME DERES teu coração, teus dias ficarão cheios de cuidados.

Minha casa está na encruzilhada, suas portas estão abertas, e minha mente vagueia, pois estou cantando.

     Se me deres teu coração, nunca me tornarei responsável por isso. Deves perdoar-me se agora eu te juro com melodias, ou se fico muito sério para guardar meu juramento quando minha música silencia, pois é melhor violar em dezembro a lei que rege maio.

     Se me deres teu coração, não fiques pensando nisso sempre. Quando teus olhos cantarem de amor e tua voz ondular em sorrisos, eu responderei loucamente às tuas perguntas, e não com a usurária exatidão dos fatos. Minhas respostas deverão ser acreditadas para sempre, e depois completamente esquecidas".

27

de
maio

* COISAS DA POLÍTICA 2 *

DEU NOS JORNAIS:

Jornal de Hoje:

JOSÉ AGRIPINO INDICA ROBINSON FARIA

PARA VICE NA CHAPA DE GARIBALDI FILHO

Diário de Natal:

GERALDO É ESPERADO HOJE PARA DEFINIR SEU FUTURO

ESSE COELHINHO É CRUEL!!! …

… e eu acho que já vi essa cena, recentemente,

com uns amigos meus, lá em Macau.

25

de
maio

* É MAIO! É FESTA! É FÁTIMA! *

Enquanto isso, do outro lado da cidade, o aniversário

da deputada Fátima Bezerra foi, como sempre, muito animado.

E muito prestigiado.

Khrystal deu show

Dona Vilma também esteve lá

amigos da UFRN e do Diário de Natal

Conceição e Liêda, sempre presentes

casal lindo de viver: Margô e Danúbio

                                          Ângela Castro, Titina, Tiquinha e Khrystal

                                                                         Tetê Maravilha e João Morais

Cris Magalhães deu o ar da graça

o povo de Macau também estava lá: Walka e Gordurinha, fôfos

25

de
maio

* COISAS DA POLÍTICA *

QUE TAMBORETADA ! ! !

como diria a Raquel, irmã de Djane:

FAZSH PENA!

24

de
maio

* TERPSÍCORE *

BEM QUERER

Neste final de noite, abro espaço para um brinde a um amigo: Bosco Afonso, filho de seu Afonso Solino e Dona Maura, sesmeiros da Benjamin Constant.

Disse uma vez e não custa repetir neste blog:  a amizade de Bosco tem para mim, um sabor das bonecas de alfenin, daquelas que a gente comprava no patamar da Igreja Matriz, nas festas da padroeira.

Sabor de gelé, cavaco chinês, puxa-puxa. Cachorro-quente de Marlene.

Melhor ainda, tem o gosto das cocadas feitas pela doce Joaninha, com todo carinho, na cozinha da escolinha particular de Dona Maura.

Traz a marca da fé do catecismo de Dona Niná. É forte, feito o mel-de-furo da bodega de Zé Guilherme e nem ‘dá o péla’ da cachaça de Zé Nedino.

Guarda o colorido das girandolas, dos balões e foguetões sobrevoando a maré e a alegria dos dobrados tocados pela Furiosa nas alvoradas salineiras.

FELIZ ANIVERSÁRIO, meu querido!!!

22

de
maio

* CIGANO FEITICEIRO *

"Sempre quando em sonhos ardo,

saltam-me vidas que já são passado,

tão presentes,

que as carrego comigo

em um imenso baú

transbordando de lembranças,

que carinhosamente

chamo: Saudade"

(do poema Retorno, de Getúlio Vargas M. Barros)

Nas memoráveis campanhas dos anos 60, surge a Cruzada da Esperança.

   

Quando passou o cortejo conduzindo o corpo inerte do líder da ‘Cruzada da Esperança’, confesso, fiquei comovida. Sou daquelas que diante da morte, se ajoelha e reza. A multidão nas ruas como antigamente, galhos e lenços verdes nas mãos, saudosas marchinhas de memoráveis campanhas, lágrimas e aplausos ao longo do trajeto, não deixaram dúvida: o povo anistiou Aluízio Alves de todos os seus pecados para sempre.

Ao vê-lo assim, silencioso e quieto, admito, senti uma tristeza profunda que não imaginei pudesse sentir por ele. Afinal, ao longo dos anos, quantos desencantos! No entanto, a minha alma, com o que ainda guarda de pura, ao tortuoso caminho dos homens, naquele instante, preferiu o romanceado percurso dos mitos. E me abriu as cancelas de ternas e saudosas lembranças liberando um manancial de sinceras emoções.

Aluízio Alves, de tantas ações e contradições, posso dizer, foi o primeiro homem público a tocar meu coração de criança, na feliz infância da Benjamin Constant. Nos anos 60, quando visitava a cidade em campanha, para nosso orgulho, se hospedava no vizinho sobrado de seu Afonso Barros. A rua inteira se vestia de verde, e o cigano recuperava as energias saboreando as delícias preparadas por ‘Mãe Gordinha’. Para ele, aos dez anos de idade, fiz meu primeiro discurso na campanha de Monsenhor Walfredo.

Crescemos. Na sua volta, em 1982, estávamos nós, outra vez, a bem da verdade um pouco desconfiados, porém, vestidos de verde. Sonhando com uma Macau diferente e combatendo a ditadura, ajudamos a consolidar o PMDB em nossa cidade, contra todos, na histórica campanha de João Evangelista para prefeito. Guardo a lembrança de uma monumental passeata que fizemos para esperá-lo na Ponta do Aterro. Galhos verdes, lenços, bandeiras e a voz rouca de Aluízio a nos motivar: ‘vim para vencer, ou vencer’. Perdemos o pleito. Mas, naquela derrota, sinto que conquistei o direito de votar livremente.

Naquele começo de noite, quando seu corpo sumiu no campo santo, ao som das velhas canções, vi dezenas de homens e mulheres chorando feito crianças. Acho que nem Aluízio, no recolhimento dos últimos tempos, acreditava que seria ainda capaz de provocar tamanha comoção. E, eu, sem pieguice nenhuma, com um nó na garganta, senti uma enorme saudade da infância e dos sonhos que embalaram nossa juventude. E rezei: bem aventurados àqueles que, apesar de todos os defeitos, ainda conseguem encher de esperança o coração dos Homens.

 

Cerca de 15 dias antes de sua morte, encontrei Aluízio no lançamento do CD Jingles Políticos, no Shopping Orla Sul. Ao lado de sua irmã Diúda e da prefeita de Ceará Mirim, Ednólia Melo, disfarçando suas dores, riu para o meu flash. Seguindo um impulso fui até ele e, por instantes, relembramos as suas visitas ao sobrado da Benjamin Constant. Era uma despedida.

demonstração de carinho ao longo de todo o percurso…

…e "gente humilde, que vontade de chorar"…

… Chico Paraíba, cena rara, não resistiu, também chorou.

 

19

de
maio

* quatro bocas *

últimas notícias

1) VAI RENOVAR?

Uma abelhinha, antenadíssima, acaba de me contar que o prefeito Veras, após a repercussão negativa e os protestos pela cidade, está disposto a renovar o contrato com a Maternidade José Varela. Não sabemos, ainda, em que termos e a partir de quando. Vamos confirmar.

2) SANEAMENTO

O deputado estadual Wober Júnior apresentou requerimento sugerindo a instalação da Assembléia Itinerante em Macau.  "A instalação da Assembléia na cidade será a oportunidade para a sociedade organizada discutir com os deputados os problemas do município e da região e buscar as devidas soluções", diz Wober.

Pois, bem, em ano de eleição, tudo pode acontecer. Porém, se eles aparecerem, vamos recebe-los bem e aproveitar para descascar os inúmeros abacaxis espalhados pela cidade.

Por exemplo, vamos questionar: como é que afirmam que o saneamento básico será inaugurado este ano e ainda convivemos com água servida no meio da rua? Vale lembrar que esse projeto foi prometido por Garibaldi - que passou oito anos no governo, vendeu a Cosern, disse no Lions que o dinheiro estava ouvindo a conversa, começou e não concluiu. - Agora, dizem, foi concluído por Vilma, no entanto, ainda corre água suja pelos esgotos. O que está errado?

19

de
maio

* contramão *

Pombo-Correio me traz fotomail da Ilha:

SEM LEGENDA

19

de
maio

* onde estará? *

Enquanto rumino as más notícias que chegam da Ilha, sigo ouvindo Maria Betânia:

 

"Como esta noite findará…?

e o sol então, rebrilhará

estou pensando em você.

Onde estará o meu amor?

Será que vela, como eu?

Será que chama, como eu?

Será que pergunta por mim?

Onde estará o meu amor???

Se a voz da noite, silenciar

raio de sol vai me levar,

raio de sol vai lhe trazer…

… onde estará o meu amor???

Se a voz da noite responder

onde estou eu, onde está você,

estamos cá dentro de nós. sós.

Onde estará o meu amor?" 

E seja o que Deus quiser.

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